VIDEO – Jaru : Fantástico visita viúva e filho do caminhoneiro Batistela , assassinado com uma pedra lançada no para-brisa do seu caminhão

Motorista seguia pela BR-364, quando foi atingido por pedra em Vilhena. Filho diz que pai sempre agradecia por chegar vivo em casa.
viúva do caminhoneiro assassinado com uma pedrada na cabeça falou pela primeira vez sobre o crime. “Aquela pedra acabou com a minha família”, afirma Margarida Batistela. O marido dela, José Batistela, foi morto na quarta-feira passada (30), quando dirigia o caminhão pela BR-364, em Vilhena (RO).

O ataque contra José ocorreu no 9ª dia dos protestos de caminhoneiros em Rondônia. O manifesto, que até então seguia pacífico no estado, teve a primeira vítima fatal.

Em entrevista exclusiva para a repórter Maríndia Moura, a viúva do caminhoneiro conta que morava com José e os filhos em Jaru (RO) há 20 anos.

Na última semana, o esposo seguia viagem pela BR-364 para levar uma carga de madeira ao município de Mirassol (MT).

“Ele tava meio ansioso de voltar em casa por conta da família. Como a minha filha vai inteirar 15 anos na quinta-feira agora, ele estava muito ansioso de ir e voltar pra estar em casa nesta data”, relembra Margarida.

Idoso estava em caminhão quando foi atingido por pedra (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo a viúva, José estava parado há nove dias em Vilhena por conta da manifestação dos caminhoneiros. Quando ele decidiu seguir viagem, no último dia 30, foi surpreendido com uma pedrada na cabeça e morreu na hora.

“Aquela pedra atingiu ele, acabou com a minha família, com a minha casa, meu esposo, os sonhos dele, nossos sonhos”, diz emocionada.

Paixões e família

Margarida diz que o marido tinha duas paixões. “Eu falava assim pra ele: ‘bem, parece que você gosta mais do caminhão do que de mim”. Eu brincava com ele, mas não era verdade. Esses 20 anos vivendo com ele foi um excelente esposo. Me respeitou muito, os filhos com muito amor, carinho”, conta.

Margarida e José estavam juntos há 20 anos e tinham dois filhos. A terceira filha de José era do primeiro casamento.

Um dos filhos do caminhoneiro, João Paulo, contou em entrevista como costumava ser a rotina do pai, dentro e fora do caminhão.

“Toda vez que chegava de viagem ele dava um beijo na estrela do caminhão, e levantava o braço e falava; ‘obrigado Deus por me levar e me trazer pra minha família de volta’. Isso é uma coisa que eu nunca vou esquecer”, relembra o filho.

Filho fala sobre o pai caminhoneiro, em Jaru (Foto: Rede Globo/Reprodução)

Homícidio
A Polícia Civil trabalha o caso como homícidio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. Desde o assassinato, nenhum suspeito foi preso.

O ministro de segurança chegou a anunciar uma prisão, mas a informação não foi confirmada pela polícia, que segue procurando por quem jogou a pedra no caminhão de José.

Um amigo disse ao G1 que o motorista não participava do movimento grevista e trabalhava como autônomo.

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